No dia do casamento,meu marido, desistiu de ir jogar a sua final de campeonato,mas,se desistiu do divorcio.. não sei…de qualquer forma já não havia tempo aquela altura do campeonato…digo do casamento pra comprar ou alugar um termo…decidi então que ele iria em um estilo comunitário – pegamos a calça emprestada de um amigo,a camisa de outro,meu pai gentilmente ofereceu uma gravata, alguém trouxe um sapato… perfeito….
Apesar do dia ter começado movimentado e cheio de imprevistos de amadores,aqui na minha casa existe profissionais…e me orgulho muito dela…minha filha é maquiadora profissional,faz faculdade de estética e cosmetologia,então eu teria a honra dela cuidar não só da noiva mas,de mim também.
Quando ela terminou de fazer meu cabelo e minha maquiagem eu caminhei agressivamente pra o espelho e ali me deparei com uma estranha….bonita…mas, estranha…bem vestida….mas continuava sendo uma estranha…senti vergonha…aquela não era eu…pelo menos não era meu novo eu…pensei em desistir…fui invadida pela culpa…a minha vida não tinha nada de belo… aquele espelho reflectia a ilusão,o show,o brilho falso que o mundo la fora gosta de ver…mas,como sou mulher de palavra,sabia que teria que ir… compromisso é compromisso.
A noite me trouxe uma mistura de sensações diferentes….confesso que depois de receber tantos elogios meu coração se alegrou, e eu comecei a me senti sim…bonita…eu estava muito bonita….e em algum momento pensei que meu filho ficaria feliz de ver assim….bonita….
E usando a palavra feliz,não na sua mais profunda tradução,mas,com leveza e descontos,eu poderia dizer que estava feliz de estar ali.Apesar de não ter costume de beber e não poder devido aos medicamentos que tomo,resolvi relaxar e me dar a chance de mudar um pouco de foco.Ali dançamos,rimos,bebemos…enfim…eu vivi um pouco depois de muitos meses enclausurada na minha dor.
Já se passava das duas da manha quando a festa acabou…encontrei meu marido no estacionamento tentado colocar um arranjo lindo,mas,enorme que noiva havia me dado,mas que eu tinha decidido não levar,afinal o que eu iria fazer com aquele arranjo enorme de flores? No caminho de casa eu em um impulso disse pra meu marido:”Já sei o que vamos fazer com esse arranjo de flores”.Meu marido imediatamente seguiu para nosso novo destino
Quando chegamos lá, ao tentar abrir o portão, vimos que ele fazia um barulho terrível,empurramos com todo cuidado e entramos caminhando na ponta do pé…quando chegamos ali…esquecemos toda a gala de festa que estávamos vestindo e sentados no chão…choramos…conversamos…ficamos um longo tempo em silencio.Cansados,afinal aquele dia tinha sido um dia agitado ,resolvemos voltar pra casa.Mas,antes de sair arrumei com todo cuidado e carinho aquele arranjo de flores – “Pra você filho…essas flores são pra você meu Ruan ,te amo”.E nas pontas dos pés, saímos com o mesmo cuidado que entramos e ao fecharmos o portão barulhento ,não olhei pra trás pois eu sabia que não estava deixava meu menino ali, porque anjos não moram em cemitérios.
